Guilherme Bonfanti | Práxis Cênica Como Articulação de Visualidade

Práxis Cênica Como Articulação de Visualidade

A luz na gênese do espetáculo

O objetivo desta tese é investigar a práxis cênica como problema estético-visual, cuja origem se encontra, não apenas nas primeiras teorizações do teatro da Grécia Clássica, mas também nos estágios iniciais do drama clássico, uma vez que ambas as abordagens observam, analisam e operam com a posição artística da luz no contexto do espetáculo teatral. A presente tese compreende a práxis cênica como uma obra compósita, cuja efetivação geralmente congrega o trabalho de muitos artistas, i. e., mesmo quando nela se observa a acentuação de um ou outro aspecto, sua natureza se afirma na interação dinâmica entre os diversos aspectos e agentes. Tais elementos interagem em movimentos irregulares, transversalmente articulados, entrelaçando-se ao longo do processo de criação. As investigações que constituíram a tese incorporam os conceitos de imagem cênica e de visualidade, aplicando a análise bibliográfico-documental como estratégia para identificar elementos instigantes para a discussão desses conceitos.

A abordagem refere-se a um conjunto de documentos, desde o teatro grego clássico até a contemporaneidade, e descarta o ordenamento cronológico, pois leva em conta as específicas relações entre os textos e a problematização que guia a tese. Procurando analisar a amplitude das interações entre a luz e a cena, o presente trabalho é sustentado por duas convicções: em primeiro lugar, as contribuições da luz estão presentes em momentos muito anteriores à “montagem da luz” de um espetáculo; depois, do ponto de vista histórico, é preciso constatar a presença da luz no teatro, em momentos muito anteriores ao Renascimento italiano, no século XVI, quando apareceram os primeiros teatros cobertos que necessitavam da luz artificial para a realização de espetáculos. Com a leitura de textos e documentos do âmbito particular do tema, a tese indica futuras intervenções, tanto na abordagem teórica da cena em si, quanto no seu planejamento visual.

 

Conteúdo:
1.1 Trajetória para o Tema – Abordagem Esquemática
1.2 Objetivos
1.3 Método
1.4 Pressupostos Teóricos
1.5 Organização da Tese
1.6 Aspectos Conclusivos

 
2 A PROPÓSITO DA VISUALIDADE NA CENA .
2.1 A Gênese da Cena e a Visualidade
2.2 A Cena e o Estudo de Imagens
2.3 Relações Primitivas entre a Humanidade e a Luz
2.4 Cena, Luz e Lugar

 
3 A VISUALIDADE SINGULAR DO TEATRO DE SHAKESPEARE
3.1 A Instalação de Hamlet através da Visualidade
3.2 Shakespeare à Luz da Tempestade
4 UM PRESUMÍVEL PONTO DE PARTIDA
4.1 A Luz como Destino da Poesia Trágica

 
5 MÚSICA E DRAMA: CÚMPLICES SOB A MESMA LUZ
5.1 L’Orfeo como Afirmação da Luz no Dramma per Musica
5.2 L’Orfeo de Monteverdi e Striggio

 
6 UMA LUZ NA “ALEGRIA DE VIVER” RENASCENTISTA
6.1 Outros Rumos para o Pensamento Visual da Cena
6.2 Luz e Cena: Primeiros Registros Teóricos
6.2.1 Sebastiano Serlio
6.2.2 Leone De’Sommi e Bernardo Buontalenti
6.2.3 Angelo Ingegneri
6.2.4 Nicola Sabbatini
6.3 Repercussões Renascentistas fora da Itália

 
7 O BRILHO DA LUZ DIVINA
7.1 A Incorporação da Cena pela Fé Cristã
8 A SANTIFICAÇÃO E A VISUALIDADE
8.1 Fronteiras Maneiristas

 

8.2 Corporificação em Visualidade e Movimento
8.3 A Luz como elo entre a Pintura e a Cena
8.4 Teatro Barroco e Tipologia Espacial
8.5 A Cena sob outros Pontos de Vista

 
9 ROTAS FRANCESAS PARA O TEATRO MODERNO
9.1 Cena Compartimentada ou Simultânea
9.2 Andrômeda: Cena e Máquina
9.3 Pierre Corneille como Resistência
9.4 A Cena como Lugar Genérico
10 NO PALCO COMO NUM QUADRO
10.1 O Palco como Pintura Exemplar
10.1.1 Tênues Fronteiras entre Ilusão e Realidade

 
11 A REALIDADE NA LUZ DA CENA ROMÂNTICA
11.1 A Luz que Toca o Espetáculo
11.2 Henry Irving sob a Cor da Sombra

 
12 O REALISMO COMO DESAFIO
12.1 Realismo, Luz e Crítica
12.2 Avanços Teatrais sob a Égide das Tecnologias
12.3 A Cena Sob Controle
12.4 Émile Zola e a Luz Impossível
12.5 André Antoine e a Cena como Realidade Controlada
12.6 A Luz da Cena Moderna como Variação da Realidade

 
13 A LUZ E A CENA NÃO REALISTA
13.1 Hans-Thies Lehmann e a Requalificação da Palavra no Teatro
13.2 Samuel Beckett ou a Angústia do Autor diante da Cena
13.3 Bob Wilson e o Espetáculo como Texto Total
13.4 Psychosis 4.48: Fragmentos de Visualidade
13.5 Bertholt Brecht e a Luz do Teatro Científico
13.6 A Dança da Saia ou o Corpo como Movimento Expressivo
13.7 Adolphe Appia: a Cena Imersa na Sombra
13.7.1 Tristão e Isolda: entre Appia e Wagner
13.7.2 Sombras Reveladoras

 
14 TRAÇOS CONCLUSIVOS

 
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  • Imiteiamake disse:

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